domingo, 23 de janeiro de 2011

O Teatro Mágico - Sintaxe À Vontade

Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
A partir de sempre
Toda cura pertence a nós
Toda resposta e dúvida.

Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser;
Todo verbo é livre para ser direto e indireto;
Nenhum predicado será prejudicado;
Nem tampouco a vírgula, nem a crase, nem a frase e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas;
E estar entre vírgulas pode ser aposto;
E eu aposto o oposto que vou cativar a todos;
Sendo apenas um sujeito simples;
Um sujeito e sua oração;
Sua pressa e sua verdade, sua fé;
Que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não;
Que enxerguemos o fato;
De termos acessórios para nossa oração;
Separados ou adjuntos, nominais ou não;
Façamos parte do contexto da crônica;
E de todas as capas de edição especial;
Sejamos também o anúncio da contra-capa;
Mas ser a capa e ser contra-capa;
É a beleza da contradição;
É negar a si mesmo;
E negar a si mesmo;
Pode ser também encontrar-se com Deus;
Com o teu Deus;
Sem horas e sem dores;
Que nesse encontro que acontece agora;
Cada um possa se encontrar no outro;
E o outro no um;
Até porque...

Tem horas que a gente se pergunta...
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?

sábado, 8 de janeiro de 2011

Engenheiros do Hawaii - Às Vezes Nunca

Tô sempre escrevendo cartas que nunca vou mandar
pra amores secretos, revistas semanais e deputados federais
Às vezes nunca sei se "AS VEZES" leva crase
Às vezes nunca sei em que ponto acaba a frase (.,;?!...)
Você sempre soube (eu não sabia)
Toda frase acaba num riso de auto-ironia
Você sempre soube (eu não sabia)
Toda tarde acaba com melancolia

E, se eu escrevesse "SEM" com "S", ou escrevesse "CEM" com "C"?
?Por acaso faria alguma diferença?
?Que diferença faria?
?O que você faria no meu lugar...
...Se tivesse pr'aonde ir e não tivesse que esperar?
?O que você faria se estivesse no meu lugar...
...Se tivesse que fugir e não pudesse escapar?
Você sempre soube que eu não conseguiria
Quando a frase acaba tarde, tudo fica pr'outro dia
Você sempre soube, eu não sabia
Toda tarde acaba em melancolia

Às vezes não entendo minha própria letra
Minha própria caneta me trai
Às vezes não entendo o que você quer dizer quando fica calada
Você sempre soube (eu não sabia)
Quando a frase acaba o mundo silencia
Às vezes não entendo onde você quer chegar quando fica parada
É como ficar esperando cartas que nunca vão chegar
Não vão chegar com "X" nem vão chegar com "CH"

É como ficar esperando horas que custam a passar
Enquanto ficamos parados, andando pra lá e pra cá
É como ficar desesperado de tanto esperar
Olhando pela janela até onde a vista alcançar
É como ficar esperando cartas que nunca vão chegar
É como ficar relendo velhas cartas até a vista cansar
Você sempre soube - eu não sabia
Você sempre soube - eu não sabia